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Em meu entendimento até o presente momento, Psicossomática é um sistema de idéias referente a relação mente/corpo e suas práticas na medicina, como um campo de pesquisas, fundamentando-se em mecanismos de produção de enfermidades.

Na França surge esta proposta designado como "Psicologia Médica", mas voltando-se também para um sentido mais prático, com o estudo da relação médico-paciente, podendo assim, considerar que a Psicologia Médica seria um todo, mas com a visão Psicossomática da Medicina, abrangendo o ensino e/ou a prática de todo o tipo de fenômeno de saúde/doença e a relação interpessoal no meio familiar/social em que vivemos.

 

Para um melhor entendimento sobre o assunto em qustão, seria interessante mencionar um pouco sobre algumas das Vertentesinterligadas à Psicossomática, como a Vertente Filosófica, onde busca falar de uma abordagem, uma postura filosófica, tentando perceber o homem como um todo a nível de intuição; a Vertente Psicanalítica, procurando compreender os fenômenos através de estudos referente as relações humanas, sendo percebido desde Freud sobre a história do indivíduo, desde o nascimento com sintomas correlacionados com a relação mãe-bebê, o fenômeno do conteúdo, estabelecendo analogia com a formação da histeria a nível psicológico, estudando não só a nível da intuição, mas também da razão nas relações humanas ( afetivas/emocionais). Já para Winnicott, seu trabalho estaria mais voltado para a observação da importância dessa relação mãe-bebê, podendo-se transpor para a atualidade do adulto. Michael Balint, grande pioneiro na Psicologia Médica, passou a dar maior importância a Psicanálise na Psicossomática, através da observação da farmacologia medicinal, percebendo que o paciente adquiria maior confiança no médico em função da "droga" (medicamentos), devido a possível melhora de seus sintomas. Sendo que para Ballint sua maior preocupação era com a contratransferência do profissional de saúde, na relação médico-Paciente, como base para isso buscou a análise psicoterápica, não sendo este um desejo que o médico tenha que aprender psicoterapia ou a fazer análise, mas sim que através de uma observação mais qualificada possa administrar melhor a sua pessoa nessa relação. Com Luchina houve a contribuição da importância da Interconsulta Médica / Psicológica, mostrando-se um maior pilar na relação interdisciplinar, podendo considerá-lo como um pedido de parecer mas com relações entre os profissionais de saúde para com seus pacientes (troca), favorecendo a uma transmutação de conhecimentos entre médicos e Psicólogos, buscando a capacidade de observar o ser humano, contribuindo também para o aguçamento da audição (ouvir o paciente); A Vertente Científica já buscar comprovar, ou tentar clarificar com bases científicas o fenômeno Psicossomático em si, para isto surgiu a necessidade de argumentações com os colegas de trabalho para mostrar verdades científicas, enfocando o questionamento em que a Psicossomática seria um conceito à parte da Psicologia Médica, mas que ambos são interligados,por interdependência, sendo a Psicossomática mais voltada para a relação Mente/Corpo, enquanto que a Psicologia médica estaria mais para as relações humanas na saúde, tornando-se assim um trabalho de forma interdisciplinar.

A partir dos anos 30, surgiu como base a psicologia por Alexander, inspirado por Selye e outros, levantando-se assim como o conceito de stress, ou seja, tensão que todo o organismo sofre mediante fatores físicos, químicos, biológicos,e  inclusive psicológicos. Alexander assim passou a  atribuir o conflito psicológico com sua influência no organismo.

 

Existem também alguns conceitos fundamentais, que contribuem para uma melhor compreensão da psicossomática, que seria osTranstornos Somatoformes, caracterizando-se por distúrbios encontrados no corpo e/ou organismo, nos quais não há lesão orgânica, nem transtornos físicos ( doenças), havendo assim correlação com o fator psicológico, subjacente a um transtorno psicológico, onde não se preconiza a doença, pois opaciente é quem "faz" a doença psicossomática, apresentando sintomas e persistentes solicitações de investigações médicas, sendo que só poderíamos classificá-lo como diagnóstico se o mesmo persistir neste processo por dois anos.

 

Dentro deste processo existem também outros tipos de transtornos, como o Transtorno de Somatização, considerado como qualquer sensação no corpo ou mudança de algum tipo de função, variando geralmente na mesma pessoa, sendo mais para autonômica, onde não se encontra lesão orgânica ou física, podendo até ser porum dia, mas como um episódio do Transtorno de Somatização, onde o foco é o corpo, com sintomas múltiplos e variáveis sem explicações médicas, geralmente nestes pacientes há um uso excessivo de drogas, pois sua necessidade trata-se em eliminar os sintomas que o incomoda.

Transtorno Hipocondríaco caracteriza-se pela preocupação exagerada que o indivíduo tem com a doença, ou pelo medo exacerbado de algum tipo de doença, tendendo assim a solicitar investigações para determinar ou confirmar uma doença subjacente, com constantes visitas a diferentes médicos para se reassegurar, sendo que neste caso os mesmos temem o uso de drogas e seus efeitos colaterais, podendo-se considerar como doença atípica.

Na Disfunção Autonômica Somatoforme, a somatização já ocorre no sistema nervoso autônomo ou neurovegetativo, onde o indivíduo a todo momento sente-se incomodado, considerando ter um sintoma físico, de um sistema ou órgão que já sob inervação e controle autonômico, procurando assim ajuda médica, servindo como foco o sintoma físico, não havendo lesão, mas podendo até vir a surgir.

Já no Transtorno Doloroso Somatoforme Persistente, pode haver uma doença gerada por questões psicológicas, podendo ser generalizada ou variada a localização, possibilitando ao indivíduo a memorização da dor, ocorrendo queixa persistente grave e angustiante, mesmo que ela não exista, não havendo pois explicações por um processo fisiológico ou por um transtorno físico, mas sim por associações a conflitos emocionais ou psicossociais.

Neste caso o paciente necessita de um suporte e atenção, tanto pessoal quanto médico.

 


 

Como mencionado anteriormente, podemos assim concluir que a Doença Psicossomática é causada por diversos fatotres, assim como pela Participação Psicológica, ou seja, por um fator psicológico muito importante; pelo Biopsicossocial, onde se preconiza a lesão orgânica; pelo Stress e Síndrome Geral de Adaptação, que segundo Selye, o stress é um estado de tensão que o organismo sofre mediante fatores agressores/agressivos, onde através de um conjunto de sinais de sintomas, o organismo sofre uma manifestação geral decorrente de uma ameaça, caracterizando-se assim em um conjunto de relações que o organismo desempenha ou sofre mediante o stress, que é a própria tensão, e a síndrome que é a reação.

 

Alexitimia e o Pensamento Operatório, surgiram com o estudo sobre as relações entre a Psicanálise e a Psicossomática, onde desde Freud houveram contribuições da Psicanálise, estruturando a própria Psicossomática e seus conceitos oriundos ( Alexitimia e Pensamento Operatório), fertilizando assim o pensamento psicanalítico.

 

No Pensamento Operatório, o pensamento é mais concreto, havendo dificuldades de simbolização e abstração do mesmo, percebendo-se que os indivíduos nestes processos tendem a somatizar mais facilmente. A Alexitimia já é o resultado deste Pensamento Operatório, mas com ausência de palavras sobre o afeto.

 

 

Marcia Gomes Rizzo

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